Vika Guerreiro
Há quem fale que o vício é algo pessoal, um defeito grave, um costume nocivo. Em Salvador ele é tudo isto e algo mais. É um fenômeno coletivo quando se trata do ingresso no cenário alternativo e underground. A cena é fraca e além de todas as dificuldades já conhecidas, como o baixo poder aquisitivo local, observamos mais um agravante: os “não pagantes” ou, se preferir atenuar, os “convidados da lista ”, que são contribuintes ferrenhos para a desqualificação dos eventos musicais.
O público alternativo se acostumou a não pagar nos eventos locais. Como em uma boa aldeia, todos se conhecem, nem que seja de “vista”, e isto se constitui num passaporte para shows. Ter amigos músicos, artistas atuantes que “bombam”, realmente é maravilhoso, principalmente quando acompanhamos esta trajetória. Mas daí a essa relação se tornar um passe livre obrigatório para todas as apresentações é demais… Talvez o bacana fosse pensar que o entretenimento de quem vai aos shows é o trabalho do amigo!
O curioso é que isso não acontece com atrações de fora. O empenho é outro, mesmo com o valor muito mais alto. Essa conjuntura ajuda a degradar de forma escusa e silenciosa a prata da casa. O engano está em querer investir o dinheiro da entrada em bebidas. Quem sai ganhado é somente o dono do espaço, que, na maioria dos casos, é também o dono do bar. Na verdade, quem mais sofre é o próprio público que cada vez mais se depara com eventos sem infra-estrutura, o que reflete na qualidade musical, sonora e dos espaços, pois esses eventos necessitam, sim, (acreditem!) de produção, de aluguel de equipamentos, de profissionais para a montagem, de transporte etc,etc.
Enfim, custos que determinam a qualidade de cada espetáculo e que são primordiais para realização de eventos “de responsa”. Geralmente o valor das entradas (quase irrisório) é revertido no custeio das etapas de pré-produção, além do cachê dos músicos. Esse comportamento “sugatório” acontece porque o público não tem grana ou não acredita no nosso cenário musical? Prestígio é bom, prestigiar é melhor ainda.
Vika Guerreiro é cantora e relações-públicas, além de sofrer com pedidos de ingressos “na moral”
2 Comentários
muito bom..
comnheci o jornal e. paixão a primeira lida;
OCRONISTA.. bom de mais..
essa é boa, vicío cultural..
se pensarmos nem com a cena alternativa local, escaasa, estamos contribuindo, se ficarmos no “na moral”..
Gostei desta reflexão Gijó.
Ah, uma sugestão, coloque esta reflexão e a do MJNNB em seu blog: http://gilsonjorge.wordpress.com/
Abraços!!